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08.03.2016

Artigo: As duas faces da moeda no cenário da crise


Confira dicas para reforçar sua resiliência na carreira profissional
Confira dicas para reforçar sua resiliência na carreira profissional
Por Luciane Botto

Resiliência é um termo que vem da física e que significa a capacidade que os materiais têm de retornar ao seu estado original depois de serem submetidos à pressão ou deformação. No âmbito pessoal, resiliência representa a capacidade que as pessoas têm de superar adversidades e de gerar aprendizados com essas situações.

Impossível falar em resiliência sem pensar automaticamente naquela palavra que se repete diariamente e milhares de vezes nos bancos, nas empresas, nos jornais e até mesmo dentro de casa: crise, crise, crise...

Se crise fosse uma nota musical, seria uma tecla tão batida que já nem sei no que resultaria o arranjo. Para alguns, seria o equivalente a uma "marcha fúnebre". Para outros, ficaria aí o baita desafio da reinvenção.

É claro que uma crise externa (financeira e política) nos afeta - e diretamente. Mas o que realmente conta é quanto permitirmos que isso interfira e influencie nossa vida, nossos pensamentos e nossas ações. As pessoas diferem bastante com relação ao comportamento diante das adversidades. Algumas enfrentam as situações duras e buscam se adaptar, sobreviver, vencer, enquanto outras passam a maior parte do tempo reclamando, culpando os outros e se considerando vítimas das circunstâncias.

É como se, diante do inesperado, jogássemos para o alto uma moeda, na esperança de buscar uma revelação. E assim, numa mesma moeda, teríamos duas faces: vítima e protagonista.

De um lado, teríamos as pessoas que se comportam como "vítimas" de tudo o que acontece de desfavorável ao seu redor: na política, na empresa, na família e no círculo de amizades. Desistem facilmente e são pessimistas com relação ao futuro. Não cultivam sonhos, pois já sabem que não haverá jeito mesmo de realizá-los plenamente. Quando algo sai errado, permitem que essa onda de negatividade invada todas as esferas da vida.

O outro lado da moeda simboliza as pessoas que agem como "protagonistas" de sua vida. Ao mesmo tempo que estão conscientes da existência e da complexidade da crise, não permitem que o medo e a ansiedade "afoguem" sua racionalidade. Aconteça o que acontecer, enfrentam com coragem e foco na solução. Determinam-se na busca de recursos internos e externos para vencer os problemas. Não se entregam. Mudam planos, estratégias, aprendem com os erros, não desistem. Têm fé e ao mesmo tempo pés no chão.

Bem, dizem que, ao jogar várias vezes a moeda, é comum ela "viciar" numa determinada face. Pois é. Saiba que a face "viciada" da moeda - aquela que ilustra seu comportamento-padrão - é fator determinante para o seu sucesso ou fracasso pessoal/profissional. Não precisamos de um "vidente" para predizer seu futuro. Suas crenças e atitudes são os ingredientes que constroem o seu futuro. Chegamos a uma "profecia autorrealizável". Se você acredita que assim será, acertou. Se você se identifica com a face da moeda "protagonista", excelente. Agora, se vê seu retrato estampado na face da "vítima", sinal vermelho. Hora de quebrar alguns padrões, treinar a mente e as atitudes para uma postura mais proativa diante da vida.

De acordo com Dr. Paul Stoltz, um dos maiores especialistas em resiliência humana, o sucesso reside na nossa capacidade de lidar com a adversidade do dia a dia. Ele identificou, em suas várias pesquisas, que passamos por cerca de 23 tipos de adversidades diferentes num único dia e que o modo como respondemos a isso faz toda a diferença.

Pessoas que respondem à adversidade como uma oportunidade, com um senso de propósito e controle permanecem mais fortes diante de cenários instáveis. Já aqueles que têm uma mentalidade de vítima e acreditam que o "sistema" é o culpado de tudo que dá errado em suas vidas respondem mal à adversidade, tornando-se impotentes e fracos. São indivíduos que não assumem a responsabilidade por suas próprias ações, pois não se veem como protagonistas de sua própria vida.

É fácil identificar de que lado da moeda o indivíduo está. Basta conversar com ele por alguns minutos, acompanhar suas postagens nas redes sociais ou o modo como ele enfrenta seus desafios e adversidades no dia a dia.

No momento brasileiro por que estamos passando (de crise), cada um está se virando como pode, com os recursos que tem e que não tem. Acredito que as pessoas que se recuperarão rapidamente são aquelas que estão tentando se reinventar e buscar novas oportunidades de prosseguir. Não podemos desistir e abandonar tudo o que já construímos em termos de carreira e empresa. É hora de cultivar humildade para reconhecer nossos erros, apostar nos nossos pontos fortes, fortalecer nossas relações, contatos e seguir em frente com fé e foco num futuro bem-sucedido. É o momento de arregaçar as mangas e encarar, enfrentar com coragem as circunstâncias (que não estão favoráveis - sabemos). Em duas palavras: fé e foco.

Penso que a humildade e a coragem sejam pontos que merecem a nossa atenção. Precisamos da humildade para reconhecer nossa falta de planejamento, nossos erros e também para pedir ajuda neste momento crucial que estamos vivendo em nosso país. É preciso humildade para ouvir o outro e coragem para aceitar que a situação não está boa. Coragem para perceber, sentir o fogo e controlá-lo antes que ele fique fora de controle.

A resiliência é uma competência tão, mas tão importante em nossa vida, que, além de render um tesouro (se acumularmos as moedas "protagonistas"), contribui para nossa imunidade. Mente e comportamentos saudáveis geram maior resistência às doenças e capacidade para lidar com mudanças.

Dicas para reforçar sua resiliência

- Aposte no autoconhecimento e no autocontrole. Quando permitimos que as adversidades invadam nosso emocional, há um comprometimento da nossa capacidade de lidar com as situações de um modo eficaz, pois atrapalha nossa capacidade de pensar claramente e tomar decisões racionais nesses momentos.

- Concentre-se em viver no aqui e agora, ou seja, no momento presente. A preocupação excessiva com o futuro também alimenta a ansiedade e o medo, desperdiçando sua energia mental.

- Adote perspectivas ao mesmo tempo positivas e realistas sobre os acontecimentos que o influenciam.

- Pratique exercícios físicos.

- Aceite desafios em sua vida pessoal e profissional. Faça da mudança um estilo de vida. Esse hábito será um treino para futuras situações que exijam resiliência.

- Busque aprender como as pessoas resilientes agem.

- Mantenha uma rede social próxima e solidária. Fortaleça esses vínculos, pois estimulam a coragem em situações tensas.

- Diante de uma situação difícil, pergunte a si mesmo: "Existe algo que posso aprender com essa experiência?"

Luciane Botto é professora de pós-graduação da FAE e mestre em Organizações e Complexidade. Atua como coach e palestrante em liderança, comunicação e desenvolvimento pessoal-profissional. É também diretora da empresa Fazer a Diferença Desenvolvimento Humano.



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