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11.02.2020

Método antifrágil é o segredo para continuar auferindo lucro na crise


Diversificar investimentos em títulos pós-fixados e de alto risco garantem ganhos contínuos
Diversificar investimentos em títulos pós-fixados e de alto risco garantem ganhos contínuos
“Coronavírus em alta, Bolsa de Valores em queda. Para os investidores adeptos da modalidade antifrágil de investimento, tudo bem!”, é o que assegura o coordenador do MBA Executivo em Finanças e Mercado de Capitais da FAE Business School, André Hayashi. Segundo ele, apostar na diversificação dos investimentos, seguindo a cartilha antifrágil, criada pelo libanês Nassim Nicholas Taleb, é uma das formas mais seguras de auferir bons lucros consolidados no longo prazo e ao mesmo tempo auferir lucros parciais no curto prazo, em função do caos.

Antifrágil
A filosofia antifrágil, criada pelo estudioso libanês e adaptada pelo professor Hayashi ao contexto dos investimentos no Brasil, consiste na diversificação da carteira de investimentos utilizando ativos de baixo risco, por exemplo, títulos públicos pós-fixados, ativos de alto risco com bons fundamentos no longo prazo, como um fundo de índice Bovespa (Ibovespa), e ativos para proteção da carteira (hedge), tais como um fundo cambial ou um derivativo financeiro com correlação negativa em relação ao Ibovespa.

O caos
Em pouco tempo, mais precisamente desde o fim de 2019, até agora, três acontecimentos já trouxeram bastante volatilidade (caos) ao cenário do mercado financeiro: a crise política de Hong Kong, o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani e o coronavírus na China. Tudo isso fez com que a Bolsa se retraísse. O mercado é indutivo, nunca se sabe se o cenário de hoje influenciará no PIB (Produto Interno Bruto) de amanhã, mas, por via das dúvidas, os grandes especuladores aplicam algumas medidas cautelares que impactam diretamente nas ações. “Para o investidor consciente, o caos é sempre uma oportunidade”, pontua Hayashi. O professor afirma que não há milagre e que a maioria dos eventos, como conflitos políticos e pandemias, é imprevisível. “O que protege o investidor é a educação financeira e a consciência de que investir de forma antifrágil permite ganhos maiores no longo prazo, diminui bastante o estresse (principalmente durante as crises) e evita que o investidor seja enganado por alguns agentes que indicam investimentos prejudiciais”, revela.

O investidor

Segundo os dados mais recentes da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), 42% dos brasileiros investem. Mas, reiterando a afirmativa do professor Hayashi, “investem mal”. Os números apontam que 88% aplicam em poupança, 6% em previdência privada, 5% em títulos privados e 4% em fundos de investimentos. Em relação a esse cenário, o professor da FAE responsabiliza a falta de educação financeira e o estímulo equivocado feito, principalmente, pelos bancos e pelas corretoras. “Geralmente o gerente do banco e/ou a corretora oferecem ao cliente o que traz mais rentabilidade para eles e, na grande maioria das vezes, o que traz mais lucro para eles é o que faz você perder mais dinheiro”, explica Hayashi. Diante disso, o coordenador do MBA em Finanças e Mercado de Capitais defende que o investidor se empodere por meio do conhecimento. “Além de tomar as rédeas do seu dinheiro, ninguém melhor do que você sabe das suas aspirações e conhece o seu modo de vida”, justifica.

O case
Em julho de 2019, Thiago Sammartino conseguiu construir sua carteira de investimentos 100% antifrágil. Ele, que já era um investidor de renda fixa há mais de 10 anos, nunca havia pensado em auferir grandes lucros, mas também não havia pensado que o método escolhido por ele podia fazê-lo perder dinheiro. Entre as modalidades de aplicação do Thiago, estava a poupança, a pior escolha. Mas, de qualquer forma, o jovem investidor já estava à frente de milhões de pessoas que não têm o hábito de poupar.

No entanto, após ter contato com o método antifrágil em um módulo ministrado pelo professor André Hayashi, Thiago começou a construir sua carteira antifrágil. “Passei a migrar meus investimentos e a construir meu colchão de liquidez, em títulos pós-fixados. Pouco a pouco fui passando para os investimentos variáveis e incorporando também um fundo cambial, respeitando os percentuais ensinados pelo professor para cada tipo de ativo. Então, tornei-me um investidor antifrágil”, explica o aluno.

Há seis meses ele é um investidor que, conforme indica o método de Taleb, ganha com o caos. “Se estamos vivendo um cisne-negro – mudanças que interferem no cenário econômico –, é preciso, antes de tudo, pensar que essa é uma situação passageira. Afinal de contas, não há coronavírus que dure para sempre, assim como a greve dos caminhoneiros, ocorrida em 2017, também não durou”, lembra Thiago.

E como age o investidor antifrágil em momentos de crise? Thiago explica: “ganha com o caos. Na greve dos caminhoneiros, por exemplo, todas as empresas que dependiam desse tipo de serviço foram afetadas, certo? Naturalmente houve queda do valor das ações das grandes varejistas. Mas aí eu me perguntei: elas irão à falência? Não! Então foi o momento de investir e comprar ativos dessas empresas”, descreve.

Para comprar ativos das varejistas em questão, Thiago utilizou a renda dos títulos pós-fixados e do fundo cambial, que geralmente oscilam para cima quando há alteração no cenário de investimento variável. Isso é rebalancear, segundo o método antifrágil. “Essa postura – consciência, conhecimento e paciência –, é que faz o investidor aproveitar as melhores possibilidades”, aponta Hayashi.

“Com a cartilha antifrágil, ganhei mais nos últimos dois anos do que nos dez anos em que investi em renda fixa”, confessa Thiago.

Seguindo adiante

Além da carteira antifrágil básica, formada por títulos pós-fixados, fundos de Ibovespa e fundo cambial, caso o investidor queira implementar uma estratégia ainda mais sofisticada, o professor André Hayashi aconselha o investidor a também utilizar uma pequena parte do patrimônio da carteira para adquirir opções de compra (call) ou de venda (put), para que possa usufruir de ganhos assimétricos e exponenciais em caso de ocorrência de eventos raros (cisnes-negros). O mais importante é começar pelo básico. “Assim: quando a bolsa cai, é bem provável que o dólar suba, e o investidor antifrágil pode resgatar uma parte do fundo cambial (ou dos títulos pós-fixados) com lucro e rebalancear a sua carteira, utilizando o lucro para comprar mais cotas de um fundo de Ibovespa enquanto as ações ainda estão baratas; quando o Ibovespa voltar a subir, o investidor ganhará duplamente. Caso aconteça o contrário, ou seja, quando a bolsa subir e o dólar cair, o investidor antifrágil pode resgatar uma parte do fundo de Ibovespa com lucro e rebalancear novamente sua carteira, comprando mais cotas de fundo cambial ou apenas comprando mais títulos pós-fixados. Com a disciplina de guardar todo mês um pouco de sua receita para investir em sua carteira, e com educação financeira para ter a consciência de resgatar o que está em alta para comprar o que está em queda, o investidor desse modelo sempre está ganhando em uma das partes da sua carteira e, mais do que isso, fica protegido das imprevisibilidades do mercado e se fortalece com o caos”, resume Hayashi.

O bom investidor...
  • Investe em educação financeira.
  • Busca aprimoramento constante por meio de livros técnicos e/ou instituições idôneas e imparciais.
  • Tem disciplina: controla gastos e investe todos os meses.
  • Monta um colchão de liquidez, investindo em títulos públicos pós-fixados, até atingir seis meses de rendimento. A medida protegerá o investidor caso ele venha a perder temporariamente o emprego.
  • Diversificar investimentos: tenha um imóvel e uma carteira antifrágil de investimentos.
  • E, por fim, “faça o que gosta, aquilo que lhe dá prazer, e viva o tempo presente (mindfulness)”, aconselha Hayashi.
Esse conteúdo foi publicado no Carreira e Futuro, do G1 Paraná.



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