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27.01.2020

Diversidade e inclusão nas empresas: por que é importante pensar sobre


Quais as principais barreiras encontradas pelas empresas e como formar profissionais que saibam gerir o tema pluralidade?
Quais as principais barreiras encontradas pelas empresas e como formar profissionais que saibam gerir o tema pluralidade?
O debate em torno da diversidade e inclusão nas organizações vem ganhando espaço nos últimos anos. Enquanto algumas empresas se destacam por criar programas, outras ainda encontram dificuldades. Como conduzir o tema e capacitar profissionais?

É crescente nos últimos meses o debate sobre a importância da inclusão e da diversidade no ambiente corporativo. Só no último ano, o número de buscas pelos termos no Youtube cresceram 71% e 24%, respectivamente. Hoje no Brasil se busca duas vezes mais sobre temas ligados à diversidade do que em 2012.

Diversidade é uma tendência no mundo dos negócios e não deve ser vista como um modismo, uma vez que traz consigo a inovação, algo fundamental para qualquer empreendimento no mundo de hoje”, explica Silvia Luan Lozza, coordenadora do curso de pós-graduação em Gestão Inclusiva e da Diversidade da FAE Business School e especialista no assunto.

Esse curso, inclusive, é um dos primeiros em Curitiba a proporcionar a formação de profissionais que atuem em um mercado cada vez mais dinâmico, multicultural e inovador. Seu objetivo é o de desenvolver competências e habilidades nas pessoas para conduzir intervenções e implantação de programas a respeito do tema. A pós-graduação apresenta práticas adequadas e eficazes nesse novo cenário que se desenha para as corporações.

“A FAE, com todo seu know-how na pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva, abre mais um espaço de formação e discussão acerca da capacitação para as organizações, conectando as boas práticas acadêmicas às boas práticas corporativas”, diz a especialista.

Inclusão e diversidade como estratégia para os negócios
Enquanto algumas empresas saem na frente ao ter iniciativas específicas a respeito do tema, outras encontram barreiras não apenas para inserir atividades relacionadas em sua rotina, mas até mesmo para entender o significado dessas palavras em uma corporação. Pensar em diversidade e inclusão é também pensar de forma estratégica, agregando desenvolvimento, valor de mercado e crescimento organizacional, como comenta Beatriz Santa Rita, consultora em diversidade e inclusão e sócia fundadora da Diverse, uma empresa de consultoria, treinamento e RH.

“No Brasil, essa discussão começou a ganhar mais espaço a partir dos anos 2000 pela via da responsabilidade social corporativa. À medida que mais pesquisas sobre o assunto passaram a ser divulgadas, o tema ultrapassou o viés social e chegou ao nível estratégico das empresas, já que os dados apontam impacto financeiro e organizacional, melhoria na qualidade do ambiente, dos funcionários e da sociedade. Para explicar o que é diversidade e inclusão nas empresas, de forma geral, a diversidade é uma fotografia da empresa que deve parecer o máximo possível com o retrato da sociedade. Diversidade é ter um quadro de funcionários de diferentes núcleos e vivências sociais em todos os níveis hierárquicos da empresa. E inclusão é extrair o melhor das diferenças, reconhecendo e potencializando as capacidades de todas as pessoas, com resultados para os negócios.”

Um estudo realizado pela Deloitte em 2017, nos EUA, apontou que 23% dos entrevistados disseram já ter deixado empregos para entrar em empresas mais inclusivas. Marcas como O Boticário, Renault, e Nubank, já abraçaram os temas e não apenas incentivam o debate como proporcionam espaços para a troca de ideias e fomentam o diálogo a respeito convidando outras empresas e a sociedade como um todo.

Empresas plurais, resultados consistentes e inovadores
Um levantamento de 2017 da consultoria McKinsey apresenta que empresas com maior diversidade de gênero em suas equipes executivas são 21% mais propensas a ter lucratividade acima da média.

“Cada vez mais as pesquisas nesta área vêm demonstrando que diversidade tem uma relação direta com inovação e crescimento financeiro acima da média, especialmente quando há diversidade na alta liderança das organizações, onde as decisões são tomadas”, explica Beatriz.

Um estudo realizado de 2001 a 2014, com aproximadamente mil empresas norte-americanas, apontou que as mais diversas se mostraram mais sólidas em períodos de crise econômica. Mas este novo cenário envolve diversas mudanças de comportamento e de pensamento, criação de espaços para o desenvolvimento de novos hábitos, busca por informação e conhecimento sobre o tema.

Como ser uma empresa diversa e inclusiva?
Há um modelo a seguir? O que os profissionais de desenvolvimento humano, comunicação e outras áreas estratégicas podem fazer? Por onde começar? Essas são apenas algumas das dúvidas que permeiam empresas e seus profissionais.

Para Silvia Lozza, é necessário enfatizar que as organizações precisam buscar pessoas e ferramentas. “Este é um profissional que está se formando de acordo com a demanda. As soluções não estão prontas, mas sim sendo construídas junto ao mercado. É importante procurar contexto. Cada empresa precisará compreender o seu desafio de diversidade e inclusão, se orientar por dados e não fazer por modismo, do contrário não será efetivo. É preciso buscar formação sólida para iniciar um projeto como esse que demandará estratégia, plano de ação, metas, o acompanhamento desses funcionários, entre outros.”

Esse conteúdo foi publicado no Carreira e Futuro, do G1 Paraná.



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