25.06.2021

O mundo precisa de líderes integrais


Pesquisas evidenciam que todas as pessoas são líderes em potencial, mas é preciso se apropriar dessa característica para obter sucesso na área (Foto: Unsplash | Lesly Juarez)
Pesquisas evidenciam que todas as pessoas são líderes em potencial, mas é preciso se apropriar dessa característica para obter sucesso na área (Foto: Unsplash | Lesly Juarez)

“O mundo vive uma crise de liderança”. Essa é uma das constatações do diretor da Pós-Graduação da FAE Business School, José Vicente Bandeira de Mello Cordeiro. E não é difícil de detectar essa conjuntura: basta analisar como alguns países lidaram com a crise da pandemia do novo coronavírus. Poucos estabeleceram uma estratégia efetiva contra o problema. Porém, não há como se conformar com essas adversidades se já se comprovou que todas as pessoas são líderes em potencial, como apontou o último relatório do World Economic Forum: segundo o estudo, a capacidade de liderar é uma das dez habilidades-chave para o profissional do ano de 2025, mesmo que ele não exerça cargo formal de chefia.

“Por tudo isso, mais do que nunca precisamos desenvolver líderes, principalmente líderes integrais, que atuem a partir de quatro atitudes: propósito, autorresponsabilidade, integridade e humildade, e desenvolvam uma visão de mundo integrativa”, analisa o professor José Vicente.

Mas como fazer isso?

Primeiramente, analisando o que está acontecendo ao redor. “Nunca tivemos tantas visões de mundo (ou níveis de consciência) distintos atuando de forma simultânea. A visão de mundo pós-moderna, com processos de pensamento que valorizam a diversidade, a sustentabilidade e o igualitarismo, surgiu para resolver os efeitos colaterais da visão de mundo moderna: as crises sociais, ambientais e pessoais”, analisa o professor. Assim, entre as áreas que estão mais carentes de bons líderes pode-se destacar a política. “É a arena onde existe a maior tendência de polarização e, consequentemente, da manifestação dos piores resultados possíveis resultantes dos embates”, observa.

Mas qual seria o segredo para um bom líder, um líder integral?

Na opinião de José Vicente, a pessoa precisa, em primeiro lugar, ser consciente, estar em contato direto com seus valores e emoções – o termo propagado hoje em dia para definir esse tipo de liderança é o mindfullness, a capacidade de estar presente para alguma coisa. No caso do líder, presente no ato de liderar. Para fazer isso, o líder pode lançar mão de diversas atividades que treinem a mente, uma delas seria a meditação, por exemplo. “A prática do mindfulness desenvolve a capacidade de foco dos líderes, assim como cria mais espaço em suas mentes, promovendo uma gradual des-identificação da pessoa com seus pensamentos e emoções. É ideal para os dias de hoje, em que somos bombardeados como informações novas todos os dias”, explica o professor.

No entanto, não é nada fácil formar bons líderes.

As pessoas que querem chegar nesse patamar profissional precisam entender que não se pode ficar apenas na teoria. É preciso por a mão na massa, trabalhando, exercitando a busca por soluções de problemas reais, saindo da zona de conforto e desenvolvendo novas competências de liderança. “Abordando questões destas sob uma perspectiva totalmente nova, permitindo resolver problemas que já haviam se tornado crônicos há tempos”, explica. 

O líder precisa delegar?

Delegar é sempre importante e é a essência do trabalho da liderança. Quando uma pessoa assume essa função ela deixa de fazer parte de suas atividades e passa a ter de fazer com que os outros façam. Entretanto, existem várias formas de fazer isso.

“Eu posso continuar a definir de forma detalhada como a atividade deve ser feita e apenas pedir aos meus liderados que a implementem. Ou, em um outro extremo, posso dizer qual o resultado que precisamos atingir e dar total autonomia para minha equipe decidir como alcançar aquela meta. Neste ponto, entra a questão contextual e a vantagem do líder com uma visão de mundo integrativa”, explica o professor.

Quando um supervisor lidera uma equipe pouco qualificada em funções estritamente operacionais, dar muita autonomia pode ser prejudicial. “Os operadores irão achar que seu líder não sabe realizar as atividades e por isso delegaram para eles a decisão sobre como realizá-las. Vão achar que ele está se omitindo”. Por outro lado, não dar autonomia em áreas nas quais os liderados são qualificados e têm visões de mundo mais complexas, também pode render resultados inesperados. “Os liderados tenderão a se desengajar, produzir resultados pífios e buscar outras oportunidades”, explica o professor.

ILP – Integral Leadership Program

A FAE Business School oferece um Programa de Educação Executiva chamado de Integral Leadership Programa (ILP). O Programa tem seis meses de duração e é voltado especialmente para as pessoas que já têm experiência com liderança, mas que pretendem mudar a forma como se relacionam com a vida de um modo geral. Pessoas que entenderam que é possível liderar de uma forma cada vez melhor, buscando qualidade de vida não só no ambiente corporativo, mas também fora dele.

“Nosso público do ILP é aquele profissional mais sênior, que quer embarcar em uma jornada de trazer a consciência para o seu dia a dia de trabalho, transformando as pessoas e o mundo por meio de sua ação como líder”, explica o diretor da Pós-Graduação da FAE.

Além do Programa, a FAE também tem em seu programa da Pós-Graduação disciplinas isoladas de liderança, como a Integral Leadership. Nessa disciplina, o aluno também põe a mão na massa: eles têm que pensar em soluções para problemas empresariais e pessoais. Entre os cursos que contam com essa disciplina estão Desenvolvimento de Liderança, Liderança e Inovação Estratégica, Inovação e Liderança em Saúde e Engenharia de Melhoria Contínua.

Essa disciplina isolada permite, ainda, que profissionais com menos tempo em posições de liderança e mesmo aqueles que ainda não ocupam uma posição formal de gestão possam ter acesso a abordagem de liderança integral para mudar a forma como enfrentam e resolvem seus problemas. “A disciplina vai trabalhar o autoconhecimento e o conhecimento dos outros considerando o ser humano como sendo constituído de corpo, mente, emoções e espírito”, relata o professor.



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