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07.02.2020

Um jeito startup de gerir sua empresa


Métodos ágeis, ciclos mais curtos de decisão, horizontalidade e transparência em processos são práticas que precisam ser adotadas no processo de transformação digital das organizações
Métodos ágeis, ciclos mais curtos de decisão, horizontalidade e transparência em processos são práticas que precisam ser adotadas no processo de transformação digital das organizações
Não precisa, necessariamente, ser uma startup para absorver e praticar alguns dos ensinamentos deste modelo de negócio da Nova Economia. Empresas tradicionais − muitas delas familiares −, com modelos mais rígidos de gestão, estão utilizando pílulas de transformação da era digital a fim de rejuvenescer seus negócios e adequar-se para seguir evoluindo. Isso porque hoje (e num ontem recente também!) partimos do princípio de que inovar não é uma escolha e sim questão de sobrevivência. Os ciclos estão cada vez mais curtos, a concorrência mais acirrada e o consumo mais consciente. O novo ganha espaço a todo momento e acaba impondo mais velocidade e dinamismo às organizações, exigindo de todos cada vez mais capacidade de adaptação e, também, de resolver problemas. Em meio à era das organizações exponenciais, o jeito startup de gestão, assim como a inovação, vem ganhando mais espaço nas organizações.

“O mundo em que os negócios tradicionais foram criados já não existe mais e a evolução da tecnologia é o grande vetor dessa transformação, juntamente com a mudança do comportamento do consumidor que ajudou a alavancar grande parte dos negócios. Esse novo cenário acaba obrigando empresas já estabelecidas a mudarem a maneira de atuar, pois cultura, processos e modelos mentais mais tradicionais passam a ser barreiras para manter a capacidade e a vantagem competitiva dessas empresas”, explica Gustavo Comeli, regional manager do Distrito Spark CWB, hub de inovação que tem como um dos principais eixos de atuação a conexão de grandes e tradicionais empresas a startups.

“É cada vez mais urgente a necessidade de adaptação à era digital, buscando conhecimento conectando-se com especialistas, aprendendo com quem já atua sob essa realidade”, explica a coordenadora do curso de Inovação e Gestão Ágil de Negócios da FAE Business School, Claudia Lopes Machado. Segundo ela, a gestão voltada para processos lean, ou seja, enxutos, é tendência nas organizações inovadoras e exponenciais. “Evoluir por meio da inovação não é e não deve ser somente para novos negócios, muitas empresas tradicionais vêm procurando aprender o conceito de lean startup, desenhado por Eric Ries, para tornar seus processos de gestão mais rápidos, criativos e voltados totalmente para a entrega de valor ao cliente”, ressalta a coordenadora.

Comeli, que atua também como professor da área de inovação da FAE Business School e está imerso nesse mundo em transição do tradicional ao exponencial, complementa com algumas dicas importantes: “É fundamental revisitar os clientes e o mercado, sob novas perspectivas e novas abordagens. Estão surgindo modelos mais ágeis de gestão, com uma série de ferramentas bastante eficazes nesse processo de modernização. Atualize seus conhecimentos. Considere a conexão com o ecossistema de inovação. Capacite suas lideranças para que possam atuar na nova economia e não esqueça: a transformação é feita por pessoas, a tecnologia é só um meio para isso”, orienta.

Gestão compartilhada
Um caso que explica bem o processo de transformação para a era digital é o da Tintas Verginia, hoje com 240 funcionários. Em 2014, Eduardo Bathke, gerente de estratégia e projetos, assumiu, ao lado do pai, a gestão da empresa da família. Diante da necessidade de mudança, Eduardo passou a sugerir, ainda que cautelosamente, algumas medidas/pílulas de inovação. Entre elas estavam a inserção de novas pessoas, com perfis diferentes do habitual, a inclusão de referências de organizações digitais e de empresas globais, a aplicação de processos de melhoria contínua, o fortalecimento dos valores organizacionais, novas parcerias e a valorização do erro no processo de aprendizado. No entanto, como o executivo faz questão de ressaltar, o novo não se sobrepôs ao já existente. Ele se adequou aos métodos tradicionais, que são muito importantes e que não serão abandonados. “Assumimos uma postura mais ágil e inovadora, conforme sugere o momento atual, mas continuamos não atropelando processos. Procuramos atuar com paciência e bastante planejamento, aproveitando cada desenrolar, com dedicação e com foco”, explica. A Tintas Verginia foi fundada em 1991 e está presente em grande parte do Paraná, com 27 lojas.

Rafael de Tarso, professor de Criatividade em Negócios, do curso de Liderança e Inovação Estratégica da FAE Business School, reitera a importância de os novos conceitos transitarem junto aos modelos de gestão mais tradicionais. “Inovação é importante, mas não vai resolver todos os problemas. As organizações precisam melhorar processos e experiências, devem atuar de maneira cada vez mais ágil e investir em uma comunicação mais fluida e horizontal, mas, ao mesmo tempo, é necessário paciência e sabedoria para lidar com a ansiedade e com a depressão que a volatilidade e a incerteza da era digital trazem”, aponta o professor. Rafael complementa dizendo que é necessário criar espaços e incentivar a troca de experiências. “O aprendizado contínuo é uma prática que não pode, de jeito nenhum, ser abandonada. Capacitação é vital para todas as áreas e gerações”, alerta Rafael.

Nativo digital
Em 2016, três colegas de faculdade, João Betenheuzer, João Tosin e Pedro Chaves, criaram a Celero, empresa que facilita, por meio de inteligência artificial, a gestão financeira de pequenas e médias empresas. Com base tecnológica, a Celero já nasceu sob os preceitos da nova economia. Os idealizadores, desde o princípio, priorizaram a perpetuação do DNA da empresa que é “momento e oportunidade”. De acordo com João Betenheuzer, a empresa é para todas as idades, credos e culturas e, mais do que competências técnicas, eles contratam perfis. “Nosso objetivo é a energia bem direcionada, pessoas felizes, fazendo o que gostam. Nós buscamos desenvolver competências e habilidades para que todos se sintam estimulados e valorizados. Nos preocupamos com o todo”, explica. Segundo o empresário, a excelência é atingida por meio dos detalhes. “Valorizamos muito o problema do nosso cliente, ele está no centro da Celero e rege as nossas tomadas de decisão. É para ele que investimos em equipe, em tecnologia, em novos processos e em ambiente de trabalho. Atuamos com transparência e horizontalidade. Queremos que todos, assim como nós, tenham vontade de crescer”, comemora.

Esse conteúdo foi publicado no Carreira e Futuro, do G1 Paraná.

Imagem: Shutterstock


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