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05.04.2017

10 anos da Vitrine da Conjuntura


Publicação mensal da FAE fomenta o debate sobre o cotidiano político e social sob a ótica da economia
Publicação mensal da FAE fomenta o debate sobre o cotidiano político e social sob a ótica da economia
Em 2008, a equipe acadêmica do curso de Economia da FAE lançou uma iniciativa pioneira na Instituição: a revista eletrônica “Vitrine da Conjuntura”. Há uma década, a publicação mensal traz artigos e análises atualizadas do panorama econômico, global e nacional, e os seus desdobramentos políticos e sociais.

De acordo com o seu editor, o economista Gilmar Mendes Lourenço, que há mais de 15 anos atua como docente no curso de Ciências Econômicas da FAE, a “Vitrine da Conjuntura” se fortaleceu e conquistou relevância como instrumento de divulgação da pesquisa acadêmica para a sociedade. “Considero a ‘Vitrine da Conjuntura’ um campo aberto à discussão e avaliação das políticas macro e microeconômicas e estratégias de desenvolvimento, uma referência do debate econômico qualificado no Paraná”, avalia.

A revista “Vitrine da Conjuntura” está disponível na área “Publicações Acadêmicas”, no menu “Serviços” do site da FAE – clique aqui e acesse todas as edições.

Confira, a seguir, uma entrevista com o professor e ex-presidente do Ipardes - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, Gilmar Mendes Lourenço.

FAE: Como a publicação foi concebida e com qual propósito?


Gilmar Mendes Lourenço
: A publicação surgiu em 2008, com a firme convicção, por parte de professores, coordenação e direção da FAE, de conferir maior visibilidade ao curso de Economia e à própria Instituição, no ambiente externo e interno.

O instrumento escolhido para a viabilização desse objetivo foi o desencadeamento de um processo de discussões de assuntos relacionados ao cotidiano econômico, político e social, em dimensão global, nacional e local, a ser veiculado em uma revista de conjuntura mensal, capaz de assumir o papel de autêntica caixa de ressonância da atmosfera acadêmica e empresarial, especialmente no âmbito do Estado do Paraná. Mesmo com a participação predominante de docentes e discentes da FAE, o periódico estaria permanentemente aberto a contribuições de representantes de diferentes segmentos da comunidade.

FAE: Qual é o perfil editorial da revista e o processo de escolha das pautas?


Gilmar Mendes Lourenço: O primeiro número foi publicado em março de 2008. São dez edições anuais, cobrindo o intervalo de tempo compreendido entre março e dezembro do ano corrente, que coincide com o período letivo da FAE.

A regra sempre foi a incorporação de artigos e colaborações que cobrissem temas multidisciplinares, reforçados por estatísticas e incursões macroeconômicas que propiciassem, ao leitor (usuário), visões múltiplas e articuladas do panorama conjuntural planetário, brasileiro e paranaense. Afinal de contas, a exposição na “Vitrine” deve perseguir a atração de incontáveis interessados.

A revista possui um padrão diferenciado das tradicionais abordagens de conjuntura, que normalmente apresentam pautas predefinidas. Ela busca ser mais flexível, deixando que os assuntos brotem ao sabor dos acontecimentos econômicos mais relevantes, tangenciados pelos ventos políticos. O tratamento dispensado a cada tema revela-se essencialmente polêmico, justamente para provocar o confronto de ideias e o cotejo de opiniões, aspectos fundamentais para o fortalecimento de ações voltadas à melhor compreensão das flutuações cíclicas da economia, da sociedade e da política, à feitura dos cenários prospectivos e à subsequente tomada de decisão dos agentes sociais. Quanto mais farta a mesa de opções, melhores serão as escolhas.

FAE: Em 2017, a FAE completa 60 anos e a “Vitrine”, 10. Sendo assim, uma década se apresenta como um recorte interessante de nossa história institucional. É possível fazer uma análise resumida da evolução dos temas e da qualidade e do estilo da revista nos últimos anos? Ela reflete, de certa forma, também a evolução da FAE?

Gilmar Mendes Lourenço: A “Vitrine” apareceu em um momento de fadiga do movimento de financeirização da riqueza em escala internacional, protagonista desde os anos 1980 e que passou a exibir rota cadente desde fins de 2006, chegando ao vale em setembro de 2008, com a quebra do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, no ápice da crise do subprime. Em paralelo, a política econômica brasileira, depois de ter eliminado a hiperinflação e implementado o maior programa de transferência de renda de que se tem notícia no mundo, a partir de 1994, começou, em 2005, a, deliberadamente, destruir os fundamentos da estabilização macroeconômica, mergulhar em um oceano de crise fiscal, sem precedentes na história, e abortar o começo de um ciclo sustentado de crescimento.

A consideração analítica de tais perturbações passou a fazer parte da rotina da “Vitrine” e a fortalecer o papel histórico do curso de Economia da FAE, representado pelo acompanhamento criterioso dos eventos e das questões, sintetizados em oportunidades e ameaças, relevantes ao desenvolvimento econômico e social do país e do Paraná. Não por ocaso, trata-se do melhor ensino privado de economia no Estado, segundo avaliação realizada pelo RUF (Ranking Universitário do jornal Folha de S. Paulo), em 2016.

FAE: Quais são os planos futuros para a “Vitrine”? Há alguma previsão de ajuste editorial ou novidades para a publicação?

Gilmar Mendes Lourenço: A consolidação da “Vitrine” impõe árduos esforços para ampliar a participação de alunos e professores da FAE nos debates das questões que afligem a sociedade brasileira e paranaense. Curiosamente, é fácil perceber, em paralelo ao acirramento das manifestações e do debate democráticos, verificados nos últimos tempos, no país, a escassez de produções e proposições acadêmicas consistentes, desprovidas de radicalismos ideológicos. Urge virar esse jogo, sobretudo se se deseja construir um projeto de nação para a próxima década. O curso de Economia da FAE reúne todas as condições para capitanear uma empreitada dessa natureza.

FAE: Como o senhor avalia o consumo de conteúdo digital dos estudantes da graduação, em particular, dos cursos relacionados à “Vitrine”? A publicação tem se mostrado, também, uma importante base para pesquisas?

Gilmar Mendes Lourenço:
A “Vitrine” tem se revelado elemento útil no suprimento de três vetores de demanda: i) a facilitação do entendimento da evolução das principais variáveis econômicas (mundiais, nacionais e locais); ii) a realização e/ou aprofundamento de estudos e pesquisas; e iii) a elaboração de previsões macroeconômicas e exercícios de escolhas estratégicas, por agentes públicos e privados.
Por tudo isso, a publicação constitui um arsenal, nada desprezível, de dados, informações e indicadores, quantitativos e qualitativos, com o qual os estudantes poderão confirmar, aprofundar e até negar os aspectos capturados em sala de aula e, por meio da montagem de pressuposições, edificar os pilares do planejamento, a marca dos economistas.


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